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Preparando a nova geração para os desafios de hoje e amanhã

Em março de 2019, 30 líderes dos Departamentos nacionais de jovens das Assembleias de Deus na Europa estiveram juntos para um tempo de partilha, comunhão, e trabalho centrado na grande questão: como podemos identificar desafios do presente e futuro da nova geração e como ajudá-la a enfrentá-los?



Ao tentarmos responder à questão, descobrimos primeiramente que muitas das problemáticas que enfrentamos como pais, educadores e líderes desta nova geração são transversais em toda a Europa. Ao olharmos à nossa volta compreendemos como a sociedade está numa mutação constante e que os perigos e desafios são cada vez mais em número e intensidade. Desde questões como a ideologia de género, a proliferação de elementos referentes ao Paganismo, as filosofias e espiritualidades orientais, a hipersexualização que prolifera nos vários meios de comunicação, etc.

Agora, como é que vamos responder a estes desafios? Jeff Grenell, pastor e líder de jovens há quase 40 anos, conhecedor da cultura e desafios da juventude em termos globais, apontou quatro grandes áreas nas quais como igreja podemos criar impacto nas vidas daqueles que estamos a ajudar a crescer, indo de encontro às suas necessidades – sejam crianças, adolescentes ou jovens. Estes tópicos (cujas ideias de Jeff Grenell coloco como citação nas próximas linhas) levaram-me a uma reflexão que desejo aqui partilhar.


SOBRENATURAL

“Se observarmos a sociedade, verificamos como esta está impregnada pelo sobrenatural.” Os produtos interativos e de entretenimento para crianças, jovens e adolescentes não ocultam o oculto, mas tornaram-no normal e apetecível.

“Como Igreja, temos que pensar no enorme potencial que temos nas nossas mãos” – não um sobrenatural do lado do mal, mas o sobrenatural do nosso amoroso Deus. “Ao não procurarmos o impacto do sobrenatural estamos a cometer um grande erro.” Não temos que ter medo de falar do Espírito Santo, da Sua operação, do Seu fruto, do Seu batismo, nem dos dons que Deus deseja ver em operação em toda a Igreja – a começar pelas crianças, adolescentes e jovens.

Assim, precisamos de levar a nova geração a ter uma experiência real com Cristo, a “viver além do natural, orando e esperando por algo que só Deus pode fazer – uma geração que ora e vê os milagres de Deus acontecer.”


REVOLUÇÃO SEXUAL

Ainda estávamos no Estado Novo, quando nos anos 60 se iniciou praticamente em todo o mundo ocidental aquilo que os sociólogos chamam de revolução sexual. “Começou um real desafio aos formatos tradicionais de comportamento interpessoal e sexual. O romper dos paradigmas estabelecidos abriu as portas a mudanças profundas que se viriam a propagar pelas décadas seguintes” e que levaram à paulatina banalização das relações heterossexuais fora do casamento, ao crescimento exponencial do divórcio, à legalização do aborto, à normalização da homossexualidade e outras formas alternativas de sexualidade.

“Hoje, as formas e formatos das definições de identidade de género (melhor dizendo, ideologia de género), presentes nos manuais escolares, nos filmes, séries, etc. são múltiplos.” Não querendo alongar este tema que abordámos em fevereiro, precisamos de compreender que é esta a realidade vivenciada.

Como pais, devemos exercer a nossa responsabilidade e direito presente na nossa Constituição relativamente à educação dos nossos filhos nesta e noutras áreas, de acordo com aquilo que cremos e podemos num país livre e democrático, mostrando a nossa posição quando necessária, sempre com amor. Por outro lado, como pais, educadores, líderes, “precisamos que Deus nos dê sabedoria para lidar com todas as pessoas que têm lutas em várias áreas, pessoas que precisam de Jesus, sejam elas quais forem.” Que Deus encha de compaixão os “filhos mais velhos” que estão na casa do Pai, para receber os “filhos mais novos”, independentemente do seu passado.

Lembremos o episódio em que trouxeram uma mulher que tinha sido apanhada a cometer adultério até Jesus. Segundo a Lei de Moisés esta mulher estava condenada a morrer. “Então, endireitando-se, disse: ‘Está bem, apedrejem-na, mas que a primeira pedra seja lançada por aquele que nunca tenha pecado!’ E curvando-se de novo, continuou a escrever no pó do chão. E começaram a afastar-se um a um, principiando pelos mais velhos, até que ficou só Jesus com aquela mulher. Tornando a erguer-se, e vendo apenas a mulher, perguntou-lhe: ‘Onde estão os teus acusadores? Nem um sequer te condenou?’ ‘Não, Senhor!’ E Jesus disse-lhe: ‘Também eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar!’.” (João 8:7-11, OL).

Também não nos podemos esquecer que, “em todas as áreas de tentação, existe uma enorme diferença entre atração e ação.” Tiago lembra-nos isso mesmo (Tiago 1:14-16). Este princípio é importantíssimo quando lidamos com adolescentes e jovens com lutas nesta área.


DOUTRINA DA VERDADE

“Na Europa apenas 3% dos adolescentes veem a vida numa perspetiva cristã. Nos Estados Unidos esse valor sobe para os 4%. Se pensarmos que, segundo algumas estatísticas, 33% dos jovens cristãos em termos mundiais, sabem dizer apenas 5 dos 10 mandamentos, compreendemos que o nosso ministério com crianças, adolescentes e jovens deve ter uma ênfase nas Escrituras.”

É importante que passemos às novas gerações as verdades da Palavra de Deus, de modo a que eles a conheçam e O conheçam. Precisamos de apresentar as doutrinas fundamentais e um panorama geral da Bíblia (que deve ser apresentado e reapresentado desde as classes dos “pequeninos” até aos universitários). “No que toca aos adolescentes e jovens, há temas incontornáveis: os 10 mandamentos; o Sermão do Monte; o Fruto do Espírito Santo; os Dons do Espírito e Escatologia (reparem que muitas series e filmes têm esta questão do fim do mundo como pano de fundo).”


FAMÍLIA

“Não podemos alcançar as nações sem chegar às famílias. Se não alcançarmos as famílias não alcançamos os jovens.

Se por um lado precisamos de estar próximos das famílias, hoje existem adolescentes que não têm referências neste aspeto. Então, “o Corpo de Cristo deve ser uma família”, onde cada jovem e adolescente é acompanhado com amor e aconselhado com a Verdade, pelas Escrituras.

Quando estamos a lidar com jovens e adolescentes, temos que mudar de uma abordagem baseada em eventos e passar para uma abordagem baseada no discipulado, em que as Escrituras e a proximidade são basilares. Para isso, temos que ser intencionais – organizados e objetivos.

Seja na igreja, seja em casa, temos enormes desafios nos dias que correm. Procuremos a sabedoria vinda de Deus para, com zelo, cuidarmos dos nossos filhos (naturais e espirituais)!

Ana Ramalho Rosa

Coordenação ADJ

Departamento Juvenil CADP

Artigo editado originalmente na revista Novas de Alegria, junho de 2019.