PILARES FUNDAMENTAIS DE LIDERANÇA II

Visão e paixão

Não há substituto para a liderança unida que tenha a capacidade de reunir a igreja como exército, marchando em cadência por uma causa, reunido e reorganizado em torno de uma visão[1].

Para que isto suceda é preciso comunicar a visão. O elemento mais importante da liderança eficaz é a habilidade em comunicar de uma forma clara a sua visão. Em segundo lugar, diretrizes claras e objectivas. Dentro de uma equipa de trabalho é necessário que cada um saiba qual é a sua função. Em terceiro lugar, devemos a amar as pessoas como tal, e não pelo que fazem. Em quarto lugar devemos cuidar delas. Por último quatro aspectos essenciais ao exercício da liderança, lealdade (a Deus em primeiro lugar, depois ao outro cônjuge, depois à família e depois à igreja), fidelidade (1ª Coríntios 4:1,2), flexibilidade, comunicação.

Visão e Paixão

Esta dupla (Visão e Paixão) deve existir em primeiro lugar no líder da igreja, depois na equipa de liderança para que passe a toda a igreja, neste caso, no grupo de jovens/adolescentes ou na classe de Escola Bíblica Dominical.

  1. Visão

Existem dois aspetos fundamentais que são o raio de acção da igreja e a perspectiva que cada crente tem de si mesmo.

  • O primeiro tem a ver até onde podemos ir (para cumprir o mandato divino), quais são os limites (geográficos, financeiros, logísticos, etc.). Deverá haver um ensino sistemático à igreja para que saiba o que Deus espera. Outro aspecto é tornar conhecida a realidade do mundo (local, aonde a igreja está, a região da qual faz parte, do país e do mundo), levar a igreja a fazer parte desta aldeia global. Ao sentir-se participante ela irá começar a orar e nessa medida Deus irá abrir os seus olhos para ver melhor e mais longe.
  • Em segundo lugar temos a visão aplicada a cada crente. Se hoje existe uma passividade que chega a ser inoperância, devido à filosofia de vida proposto pela pós-modernidade, não deixa de ser verdade que a igreja não é cativa das sociedades. Depende exclusivamente do seu Deus e é o Espírito Santo que capacita o crente a ser uma testemunha de Jesus. Embora a capacitação venha do Espírito Santo, o tornarem-se testemunhas não fica resumida a isso, é necessário serem verdadeiros discípulos. Só deste modo a nossa mensagem terá impacto, pois a sociedade está cansada de palavras sem consequência, nossas vidas têm de falar primeiro[2].
  • Paixão

O desafio que se põe é como tornar o povo de Deus novamente apaixonado pelas pessoas? Há dois factores importantes: Deus e o pastor. Comecemos pelo último. É imprescindível que o pastor esteja apaixonado pelas pessoas/mundo, porque se ele não viver dessa forma o povo dificilmente viverá ainda que se pregue, ensine, exorte, realize os melhores eventos, projecte a realidade do nosso mundo sem Deus e tenha os melhores oradores para falar sobre o assunto. O pastor em vez de se tornar um catalisador é um obstáculo.

A minha opinião é que Deus chama homens e mulheres apaixonados por pessoas, mas no exercício do ministério e por diversas razões essa paixão pode desvanecer e até desaparecer (o que é muito perigoso). Não é fácil manter essa paixão. No entanto existe um factor essencial para manter essa paixão mesmo através dos momentos mais difíceis do nosso ministério é viver junto ao coração de Deus continuamente e levar o povo a viver dessa forma (sem excluir toda aquelas actividades mencionadas). Assim Deus irá operar na igreja, e então as limitações e os impedimentos serão ultrapassados porque estamos apaixonados. O segredo, então, está em ter comunhão profunda com Deus, porque Ele continua apaixonado por esta humanidade!

Isso é impossível fazer sem o poder do Espírito Santo, pois é Ele quem dirige, motiva, impulsiona e leva a igreja a cumprir o propósito deixado por Jesus Cristo[3].

Nos nossos dias, e no nosso mundo de cristianismo ocidental, a ênfase na ação e no poder do Espírito Santo está focalizada no proporcionar prazer ao crente. Temos tentado desvirtuar a razão pela qual o Espírito Santo foi enviado e ao fazer isso a Sua presença e acção é diminuída e em alguns casos extinta. Impõe-se então o resgatar do propósito com que Espírito Santo foi e é enviado à igreja, conforme está escrito em João16:14, 17:4 e Atos1:8.


[1] TRASK, Thomas. O Pastor Pentecostal, p.503.

[2] Será recordar as palavras de Jesus em Mateus 28:19,20 responsabilizando os discípulos e a nós para ensinar todas as coisas que Ele deixou com o propósito de gerar discípulos, não teóricos. Discípulos são aqueles que Deus irá usar para cumprir o Seu propósito.

[3] No livro de Atos dos Apóstolos notamos que homens e mulheres cheios do poder do Espírito Santo testemunharam e isto é apresentado como resultado natural. Este testemunho é em primeiro lugar através de suas vidas e depois por palavras.

Olhando para a história da igreja observamos um facto em torno do derramamento do Espírito Santo, sempre que aconteceu trouxe a evangelização e as missões para o centro da actividade da igreja.

Alexandre Samuel Lopes
Pastor evangélico
Porto

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