Pilares fundamentais de liderança III

Intensidade e Intencionalidade

Dois pilares distintos que se tocam.

Intensidade

Intensidade pode-se definir também como força ou veemência. Como em tudo na vida, todas as coisas devem ter conta, peso e medida. Viver intensamente é muito divertido, mas cansa e leva à exaustão. Levar os outros a viver intensamente parece interessante e entusiasmante, mas acabará por deixá-los exaustos. Muitas vezes os líderes são acusados de não estarem sempre disponíveis, no entanto, essa acusação é sem sentido e sem fundamento bíblico, pois o sábado foi criado por causa do Homem.

Nessa mesma perspetiva há que ter em conta o que se exige dos nossos colaboradores, pois uma intensidade exagerada levá-los-á à exaustão e isso não será útil para ninguém. Por vezes, achamos que se os jovens estiverem sempre envolvidos, estarão mais ativos e até convictos, não lhes deixando espaço para descansar, desenvolver a sua vida social (desportiva, cultural, etc.) e quem sabe até que vivam algumas desventuras.

Creio que é necessário reflectir acerca disto. Por vezes, nas nossas igrejas pratica-se um “horário” de actividades e celebrações intenso e acaba-se por se exigir a presença dos líderes em grande parte deste tempo, ou mesmo em todo o tempo. Nalguns lugares, todos os sábados são ocupados exaustivamente com actividades, eventos e ensaios, e os domingos e finais dos dias de semana (geralmente à noite), com cultos (de estudo bíblico, de oração, evangelísticos, etc.), não deixando espaço para que as pessoas que trabalham na Igreja (e até mesmo os próprios jovens) tenham tempo livre para dedicar à família e aos amigos, em passeios, idas ao cinema, jantares ou almoços convívios, sufocando por completo a vida pessoal e social dos colaboradores.

Isto não é útil, pois desgasta, cansa, e faz até o trabalho ser menos produtivo. Até é algo que pode atrapalhar a vida dos jovens, privando-os de contextos sociais necessários ao seu desenvolvimento e promovendo o desenvolvimento de relações de circunstância, e pouco sólidas e/ou autênticas na igreja, apesar de aparentar o contrário. Talvez consideremos que estamos a evitar que eles se percam no mundo porque os afastámos dos perigos, todavia para além de Jesus ter dito que não queria que o Pai nos tirasse do mundo, esta pode não estar a ser uma escolha livre dos jovens envolvidos que muitas vezes estão porque alguns dos amigos estão presentes ou porque os pais os constrangem a participar.

Assim, parece necessário permitir que os líderes, e até os próprios jovens liderados, tenham possibilidade de usufruir de tempo livre, sem actividades de igreja, no qual podem fazer as suas escolhas. Devemos recordar-nos que o trabalho para Deus, tal como a salvação, é uma decisão pessoal. As ideias-chave no âmbito da intensidade relacionam-se sobretudo com a procura de encontrar um equilíbrio evitando o esgotamento, mas também não chegando a tal ponto de passividade, e ausência de actividades, que levem à desmotivação dos jovens.

Intencionalidade

Uma pergunta clássica que todos fazemos quando estamos a começar algo: “Isto serve para quê?”, ou “Qual o objectivo?”. Se a reposta a estas perguntas for: “Ganhar almas para Jesus.”, parece tornar-se necessário especificar e tornar mais concretos os nossos objectivos. É claro que tudo o que fazemos contribui para tal, assim como a nossa simpatia no dia-a-dia deve servir esse propósito. Assim, se não estamos completamente definidos no que estamos a fazer mais vale parar e redefinir. Os objectivos devem ser claros e concretos. O que pretendemos alcançar? O que queremos que se aprenda?

É também necessário adequar as estratégias aos objectivos e ao público-alvo. Para determinada intenção temos de encontrar o meio ideal para a sua concretização. Vamos imaginar que preparamos uma coreografia, para evangelizar idosos num lar de terceira idade. O drama fala sobre a vida de um jovem que muda de vida usando como ilustração a recuperação dos dados de um telemóvel através da cloud. É bonito, os velhinhos podem até ficar felizes pela presença dos jovens naquele contexto, mas esta actividade possivelmente não irá surtir o efeito pretendido, pois aquelas pessoas muito provavelmente não vão entender nada. Ou da mesma forma, se decidimos preparar um jogral com certos textos bíblicos eruditos, com palavras que apenas os mais intelectuais entendem e o levamos às crianças do primeiro ciclo… podemos até dizer que evangelizámos aquelas crianças, mas na prática o que fizemos foi afastá-las ainda mais da Igreja, pois a percepção delas é que aquilo foi incompreensível e ainda por cima foi “uma seca”. Sim, queremos ganhar almas para Jesus, mas temos de ser altamente intencionais e organizados, tanto na forma como vamos passar a mensagem aos outros, tanto como a passamos aos nossos colaboradores, pois nada pior do que ter colaboradores desorientados. Por outro lado, fazer algo “por descargo de consciência”, passa essa mesma mensagem aos sucessores e criará uma cadeia de liderança de gente que não acredita no que está a fazer, por isso é tão importante o líder ter em conta a intencionalidade do que se está a propor fazer. As ideias-chave no âmbito da intencionalidade relacionam-se sobretudo com definir objectivos concretos, definição clara do público-alvo e adequação das estratégias tendo ainda em conta a mão-de-obra que temos (recursos humanos) e os recursos materiais disponíveis.

Sinergia

Sinergia pode-se definir como “o todo supera a soma das partes”. Sinergia, de forma geral, pode ser definida como uma combinação de dois elementos de forma que o resultado dessa combinação seja maior do que a soma dos resultados que esses elementos teriam separadamente. Sendo assim, sinergia é mais do que um somatório de coisas voltadas para o mesmo fim. Quando bem desenvolvidas, Intensidade e Intencionalidade combinadas têm um poder maior. Consegue-se que os jovens trabalhem para Deus não por imposição, mas sim por uma escolha consciente, sincera e voluntária, seguindo objectivos bem definidos e concretos, proporcionando-se assim as condições favoráveis para o sucesso.

Natanael e Eunice Paula
Missionários
Elvas

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