O que tens nas tuas mãos?

Muitas vezes pensamos que não temos capacidade para determinada tarefa. São nos propostos desafios para servir a Deus, em vários contextos, e sentimo-nos incapazes.

Na verdade, ser filho de Deus por si só e viver para Ele é algo que não é possível acontecer sem a ajuda do Espírito Santo e uns dos outros (Igreja). Também é verdade que Deus é quem nos capacita, porque para servi-Lo não basta termos aptidões naturais ou conhecimento intelectual. Precisamos que Ele nos dê ousadia e sabedoria, enquanto humildemente nos dispomos para sermos usados nas Suas mãos.

Nas próximas linhas pretendo partilhar alguns pensamentos que visam encorajar-vos (e aos que lideram) a deixarem usar-se nas mãos de Deus. Portanto, é um texto que podem usar para reflexão pessoal ou adaptar para usar em pequenos grupos, lição de ED ou numa reunião de jovens.

INTRODUÇÃO

“Então, respondeu Moisés e disse: Mas eis que me não crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu. E o Senhor disse-lhe: Que é isso na tua mão? E ele disse: Uma vara. E ele disse: Lança-a na terra. Ele a lançou na terra, e tornou-se em cobra; e Moisés fugia dela. Então, disse o Senhor a Moisés: Estende a mão e pega-lhe pela cauda (E estendeu a mão e pegou-lhe pela cauda, e tornou-se em vara na sua mão.); para que creiam que te apareceu o Senhor, o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacob.” (Êxodo 4:1 a 5, ARC)

Esta passagem é um excerto da longa conversa que Deus teve com Moisés quando o chamou para ser o líder que iria levar o povo da escravidão egípcia para terra prometida. Moisés apresenta diversas desculpas, mas Deus contra-argumenta, mostrando que estará com ele e com o Seu servo nessa importante missão. Um desses argumentos de Deus como resposta a Moisés é uma pergunta simples, mas importante “O que é isso na tua mão?”

1 – CADA UM TEM O QUE TEM NAS SUAS MÃOS

Deus disse claramente a Moisés para olhar para o que estava na sua mão, não na mão dos outros. Embora o Senhor colocasse ao lado de Moisés o seu irmão Arão para ajudá-lo, nomeadamente no tocante às dificuldades de expressão verbal, Ele escolheu especificamente Moisés para liderar (Êxodo 4:14 a 16). Arão tinha uma vara na sua mão e Deus fez milagres com ela (Êxodo 7:10 a 13; 8:16 a 18), mas era aquilo que estava nas mãos de Moisés que Deus queria usar para mostrar ao povo a sua autoridade como líder (Êxodo 4:1 a 5), apesar das suas limitações.

Quando Deus chama alguém, Ele não está preocupado com as lacunas dessa pessoa, mas com o seu potencial ao ser usado pelas Suas mãos.  Vejamos alguns exemplos: Isaías (Isaías 6:5 a 9); Jeremias (Jeremias 1:4 a 9); David (1 Samuel 16 e 17).

2 – DEUS USA PODEROSAMENTE O QUE TEMOS NAS NOSSAS MÃOS QUANDO OBEDECEMOS

Tanto durante o processo de “negociação” com o Faraó como na travessia do Deserto, Moisés usou aquela mesma vara muitas vezes de maneira poderosa.

Por exemplo, nas pragas do Egipto (Êxodo 7:17); para abrir o Mar Vermelho (Êxodo 14:16) ou para dar de beber ao povo (Ex 17:6). Quando Moisés obedeceu ao desafio inicial de Deus, viu cumpridos feitos poderosos maiores que a pequena demonstração de poder que o Senhor fizera naquele primeiro diálogo.

Escutar a voz de Deus é essencial, mas é necessário cada crente passar à ação após ouvir a Sua instrução. Para cada servo de Deus ser usado com poder na sua área de ministério (quer seja a tempo integral ou não) precisa obedecer voluntariamente à Sua voz. É o poder de Deus que opera através de mãos disponíveis, por mais pequeno ou simples que seja o seu talento. Não significa que vejamos de imediato tudo o que vamos passar nessa caminhada, mas o primeiro passo de obediência, pela fé, em confiança completa na provisão e no poder de Deus é determinante.

3 – AS NOSSAS MÃOS TÊM AS MARCAS DA NOSSA IDENTIDADE

As mãos de Moisés eram diferentes das de qualquer outro homem, principalmente pelas suas impressões digitais. Estas diferem de pessoa para pessoa e marcam a sua identidade. Mesmo se alguém não souber escrever por falta de instrução ou por impossibilidade física, essa pessoa pode “marcar” ou “assinar” através das impressões digitais. Elas identificam-nos e diferenciam-nos uns dos outros. Falam-nos de diversidade.

No Antigo Testamento essa diferenciação está patente, por exemplo, na construção e transporte do Tabernáculo. Artífices especificamente convocados e ungidos por Deus para materializar o Seu projeto (Êxodo 31:1 a 11). Pessoas especializadas e equipadas para carregar cuidadosamente o Tabernáculo durante cerca de 40 anos naquele deserto (Números 4:21 a 33). A Palavra de Deus mostra-nos ainda que, na Sua Igreja, espera-se essa diferenciação. Paulo alerta para a importância de haver “diferentes dons” na Igreja (Romanos 12:4 a 8), que os vários ministérios são essenciais para o crescimento e maturidade de todos e de cada um (Efésios 4:11-16). Ao escrever à igreja em Corinto o mesmo apóstolo refere a unidade do Espírito Santo na diversidade de dons, ministérios e operações (1 Coríntios 12:4 a 11).

Ou seja, a diversidade de dons, ministérios e talentos vem do coração de Deus e é vital pois, ao cooperarem em unidade e submissão, estes enriquecem e completam o corpo de Cristo.

CONCLUSÃO

Como Moisés, temos por vezes dúvidas e sempre as nossas limitações. No entanto:

1. Deus quer usar cada um com aquilo que tem nas suas mãos e não se lamentar por aquilo que não tem;

2. A obediência de Deus levará à manifestação do Seu poder através de cada servo;

3. Deus deseja usar cada um como é, para o ministério específico dado por Ele.

É importante, antes de terminar este artigo, houve um processo na vida de Moisés até Deus ter esta conversa com ele. Deus moldou o seu caráter. E isso importa ressaltar numa época em que valorizamos a perceção mais do que a essência. Precisamos que Deus molde o nosso coração para estarmos preparados para o que Ele tem para nós. O desafio é que cada um de nós possa pensar naquilo que Deus tem colocado nas suas mãos, na sua vida, no seu ministério: entrega-Lhe as tuas limitações; obedece aos Seus desafios, por maiores que eles pareçam; procura e desenvolve o teu ministério.

Ana Ramalho Rosa
Coordenadora AD.J – Departamento Juvenil
Convenção das Assembleias de Deus em Portugal

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